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Sinopse

"O que fazer quando o sonho de uma vida melhor se torna um pesadelo?"

           Adele é uma jovem brasileira intercambista em Londres que, ao contrário das pessoas da sua idade, se preocupa com o vasto catálogo de golpes e crimes aplicados em brasileiros pelos próprios brasileiros, destruindo sonhos e arrastando mulheres para o mundo sombrio da prostituição.

            Sem saber onde está se metendo, se envolve emocionalmente com o jovem agente da NCA, Ethan O’Connor, com o intuito de colher cada vez mais informações que a levarão às pessoas que procura. 

Adele acaba presa num espiral de assassinatos que envolvem os responsáveis pela quadrilha e uma mulher misteriosa.

 

            As coisas mudam de rumo quando Adele reconhece uma das pessoas envolvidas nos golpes e precisa encontra-la a qualquer custo.

Prólogo

25 de Dezembro, 2011

 

   As gotículas da chuva fina salpicaram o rosto de Yves assim que deixou o edifício. Ela apertou as pálpebras para evitar que os respingos atingissem os olhos e prejudicassem sua visão da noite pela qual esperou um ano inteiro. O vento gélido causou-lhe um calafrio que percorreu seu corpo como se carregasse com ele um presságio, daqueles ruins e inevitáveis.

   Yves caminhou apressada pela calçada estreita e escorregadia, esbarrando em pessoas encapotadas por gorros e casacos compridos, tão apressadas quanto ela. A diferença era que sua pressa em nada tinha a ver com as bolas natalinas espalhadas em cada esquina, ou o borrão das luzes no chão molhado.

   Ela olhou pela enésima vez o relógio, grande demais para o punho fino, confirmando suas expectativas: chegaria a tempo, precisava chegar. Se não chegasse…

   Sua imaginação a levou a lugares tão sombrios quanto o beco por onde entrava, era como se a noite a engolisse ao som das irritantes melodias natalinas. Apressou o passo sem se dar conta da enorme poça d’água em que enfiava os pés, encharcando a bota gasta e ensopando suas meias grossas. Mas que merda

   Se existisse um Papai Noel, ele com certeza não permitiria que chovesse no Natal; na verdade, ele não permitiria muita coisa. O pensamento fortuito a fez se odiar. Estava prestes a impedir um pacto estúpido feito por pessoas burras e inocentes. Um pacto que, se ela não chegasse a tempo, levaria à morte pessoas que amava.

   Um flop-flop desconfortável se iniciou dentro das botas. Ela já não sentia os dedos dos pés, congelados pelo frio. O beco estreito se fechou diante dela, não tinha saída. 

   Tem algo errado, o coração martelou desenfreado dentro do peito, não pode ser.

   Yves tirou o panfleto do bolso e o desdobrou, esticando-o em direção à luz fraca do poste. A chuva fina escorreu pelas atrações turísticas no papel, borrando os desenhos do mapa de Londres que pegara no metrô horas antes. Cerrou os olhos como se isso fosse melhorar sua visão, as gotas brotando dos cílios numa goteira infindável. Esfregou-os na tentativa de limpar a visão e a lente de contato do olho esquerdo saltou, como uma afronta ao trabalho inútil que prestava. Foda-se, sua prioridade com certeza não seria esconder sua heterocromia, o verde esmeralda do olho esquerdo era a última de suas preocupações naquele momento. 

   Checou os pontos principais de Londres representados por símbolos animados como se percorrendo as linhas do seu destino, e seu medo se tornou real: estava no lugar errado. 

   Yves sentiu a raiva crescer, puxou um grito do fundo da garganta e o soltou. O som ecoou entre as paredes escuras e emboloradas dos prédios velhos, adormecidos demais para revidar.

   Ela deu meia-volta, dobrando a velocidade dos passos em direção à saída do beco.

   Suas bochechas se aqueceram com as lágrimas carregadas de pavor para depois voltarem a congelar com o frio que predominava nas noites de Londres. À medida que alcançava a rua principal, o som dos passos ensopados acompanhava as batidas da melodia de Natal que aumentava gradativamente na voz de Brenda Lee. Precisava chegar a tempo ou “Rockin’ Around the Christmas Tree” se perpetuaria em seus ouvidos com nuances fúnebres de forma irreversível. 

   Olhou novamente as horas assim que atingiu a rua movimentada de mão dupla: faltavam dez minutos para a meia-noite. Orientou-se novamente pelo panfleto quase deteriorado — agora estava no lugar certo. Jogou o papel numa lixeira e se pôs entre os carros sob uma chuva de buzinas e faróis altos. Num pulo instintivo, desviou de um motoqueiro que berrou alguma coisa enquanto executava uma manobra improvisada entre os carros. 

   Na calçada, Yves foi atropelada por um grupo de homens bêbados carregando sacolas enormes de presentes enquanto riam em outra língua, romenos.

    Dobrou a esquina e o viu de longe, enfeitado com um cordel de luzes coloridas que contornavam os seus detalhes, o Viaduto Holborn, ou como era chamado pelos amigos, a ponte vermelha.

   Num ímpeto, Yves encheu os pulmões, como se voltasse às corridas apostadas entre os amigos quando não passavam de moleques nas ruas empoeiradas de Jundiaí. Disparou em meio à avenida movimentada. O casaco volumoso e os pés escorregadios dentro das botas limitavam seus movimentos.

   Yves parou por um instante, usou as mãos para bloquear a chuva por cima dos olhos. Estava longe demais.

   Não!

   Sombras borradas em lados opostos da ponte caminhavam ao encontro uma da outra, contornadas pelas malditas luzes de Natal.

   Isso não pode acontecer!

   A chuva de buzinas recomeçou, mas a essa altura Yves não dava a mínima. Recomeçou a correr, ignorando o tremor nas panturrilhas a cada passo. 

   — Ei, Rafa! — seus gritos foram abafados pelo tumulto súbito, as palavras não surtiram efeito algum. — Viny, para! 

   As sombras sentaram-se no beiral da ponte, pareciam segurar as mãos, como haviam combinado ao forjar aquele pacto desesperado. 

   — Para! — Yves não ouvia seus próprios gritos, mesmo que fizessem seus pulmões arderem.

   Mais alguns passos e estaria embaixo da ponte.

   Agora tinha a solução para todos, eles ficariam bem com o dinheiro da maleta. Fizera bem em não trazê-la. Yves cuidaria deles, todos eles…

   Ela parou abruptamente, sem fôlego, uma tontura a pegou desprevenida. Esfregou o rosto com a manga do casaco encharcado e levantou o rosto em direção à ponte. Mesmo entre os borrões coloridos das luzes, definiu os rostos dos amigos: Rafael e Vinícius. Mas onde estava a terceira pessoa…?

   Uma montanha escura bloqueou sua visão. Seus braços foram puxados para trás. Uma dor súbita nos ombros forçou seu corpo a retroceder alguns passos, encostando em alguém.

   — Here you are — o tom grave daquela voz ecoava em todos os pesadelos que Yves tivera desde que fugira. — Let’s go.

   Yves foi puxada. 

   — Não! Let me go! — Seus gritos sequer eram ouvidos sob a enxurrada que caía e o estridente som das buzinas.

   Arrastada, arremeteu seus calcanhares no asfalto na tentativa de ficar de pé, de se libertar. O homem voltou a cobrir sua visão, caminhando até ela como um carrasco que indica o destino de seu prisioneiro. As vozes e gritos incompreensíveis misturavam-se com os outros sons e, por um instante, Yves avistou o motivo das buzinas — uma van de portas arreganhadas em meio ao trânsito. Antes de ser arremessada para dentro dela, seus olhos conseguiram enxergar a ponte, e foi aí que o mundo parou.

   As sombras mergulharam do topo da ponte em câmera lenta. O sino de uma igreja qualquer soou a primeira badalada da meia-noite. Yves prendeu a respiração.

   Tarde demais.

   Arrancada daquele momento, ela foi jogada no chão frio da van e a porta fechou violentamente. 

   Seus músculos deixaram de lutar.

   Tarde demais.

   O carro arrancou, fez uma leve curva em direção ao viaduto, e foi aí que ela teve um último instinto, levantando-se em direção às duas pequenas janelas na porta de trás. Deitados no chão molhado, os braços e pernas em posições grotescas, Rafael e Vinicius pareciam felizes.

   E foi como se um pedaço dela caísse daquela ponte também.

   Tarde demais.

   Gritos ardidos de sirenes e buzinas impacientes se mesclaram, os carros e as vitrines se tornaram uma grande mancha banhada em azul e vermelho do giroflex, e um amontoado de curiosos contornava os corpos, fechando-se em torno dos amigos mortos à medida que a van se afastava.

   Yves fechou os olhos e foi como se seu corpo sem vida estivesse ao lado deles.

   Tarde demais.

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